Chico Lucas cita “divergência moral” sobre redução da maioridade penal

Em entrevista ao SBT News nesta quarta-feira (4), o secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), Chico Lucas, defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos. Apesar disso, o piauiense pontuou que a discussão do tema está mais ligada a uma questão moral.
“O presidente Lula já se manifestou e a opinião dele é a mesma que a nossa. Há uma convergência em reduzir a maioridade para 16 anos nos casos de crimes hediondos. Essa questão, apesar de ser debatida junto com a segurança pública, está mais dentro de uma divergência mortal significativa”, disse.
Na avaliação do secretário, o Senado acertou em aprovar a PEC da Segurança Pública, retirando do seu texto a redução da maioridade penal.
“Os crimes cometidos por menores, em sua grande maioria, são crimes comuns. Algumas vezes que estão no contexto de uma criminalidade violenta, não estão como líderes, mas como soldados do crime organizado. O problema da maioridade penal está em outra caixa. Apesar de também ter uma interconexão com a segurança pública, nosso problema é enfrentar o crime organizado, a asfixia financeira, combater a corrupção policial, o andar de cima, o feminicídio e o roubo comum”, enfatizou.
PEC
O secretário reforçou que a nova proposta permitirá ao governo federal coordenar ações mais abrangentes de combate ao crime em parceria com governos estaduais e municípios, com foco em asfixia financeira, repressão à corrupção policial e olho no “andar de cima”, em referência a crimes do colarinho branco.
“A PEC diz que o sistema único de segurança pública faz parte de uma coordenação interfederativa, então o ministro que sentar na cadeira do Ministério da Segurança Pública vai ter um papel não só operacional, mas de coordenar. Já temos muitas forças policiais trabalhando no enfrentamento à criminalidade, o papel maior do ministro, na minha visão, é de coordenar os investimentos, os dados da inteligência e integrar os sistemas”, pontuou.
Ministério.
Um dos nomes cotados para o recém-criado Ministério da Segurança Pública, Chico Lucas frisou que está focado na execução das ações da Senasp. “Se tenho ou não as condições [de ser ministro], quem avalia é o presidente. Neste momento estou preocupado só em entregar o que o ministro da Justiça se comprometeu no começo do ano e estamos fazendo”, concluiu.






