O reitor da Universidade Federal do Piauí, Arimatéia Dantas, se reuniu com os deputados federais do Estado na manhã desta sexta-feira (17), na reitoria da UFPI. Ele ressaltou que o governo está fazendo um bloqueio das verbas para as universidades públicas e pediu apoio dos parlamentares para desbloquear o recursos.

Arimatéia afirma que a a Universidade Federal não vai fechar, mas terá grandes dificuldades para honrar os compromissos.

“Nesse momento tem muita informação desencontrada. Uns falam em contingenciamento e outros em bloqueio. Quando há contingenciamento, o dinheiro é liberado aos poucos e, no final do ano, se recebe todo o dinheiro que foi repassado. No caso do bloqueio, só se recebe uma parte e com a promessa de que, se as coisas melhorarem, poderemos receber o restante. Não podemos contar com um dinheiro que não temos garantia de receber”, afirmou.

O reitor afirma que os cortes afetam diretamente uma verba chamada de Funcionamento das Instituições Federais.

“Para essa verba, o bloqueio chega a 45%. É corte em atividades que garantem o funcionamento da Universidade. É limpeza, segurança, passagens, diárias. Não vamos fechar, mas vamos ter graves problemas de seguir honrando as dívidas com os credores. Não trabalhamos com a perspectiva de fechar cursos ou diminuir vagas. Se não conseguirmos fazer a instituição funcionar a culpa não é nossa. Cortamos a gordura e agora estamos cortando o osso. Quando se corta o osso é impossível caminhar”, disse.

Participam da reunião os deputados Rejane Dias (PT), Margarete Coelho (PP), Flávio Nogueira (PDT), Júlio César (PSD), Assis Carvalho (PT) e Merlong Solano (PT).

O deputado Merlong Solano declarou que o governo “joga” para distorcer as informações. “Não é a mídia que tem passado informações desencontradas, são os membros do Governo que trabalham para isso. É um jogo para minar o prestígio das instituições públicas. É importante ter um trabalho com as bancadas”, disse.

A deputada Margarete Coelho se mostrou preocupada com a fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, na Câmara Federal. Segundo ela, a fala do ministro soou como tentativa de atacar as universidades.

“Pouco se falou de orçamento. O ministro ficou apenas na qualidade do ensino, tentando passar a imagem de que as instituições e os professores nao têm competência. Isso me deixou muito preocupada. O ministro mostrou desamor pela educação”, disse.

“Temos que lutar pela sobrevivência das nossas universidades. O governo faz um ataque às instituições e aos professores. A bancada do PT já tomou a decisão de não participar caso o tema das universidades não seja discutido. É um ataque contra o futuro do país”, afirmou.

O orçamento destinado ao funcionamento da universidade tem diminuído ao longo desses anos. Fizemos ajustes para que a universidade possa funcionar contando com 100% do orçamento. Com esse bloqueio fica muito difícil de conseguir honrar os compromissos que já estavam planejadas para que a universidade pudesse funcionar plenamente. A dificuldade começa a surgir a partir do mês de junho. Tivemos a liberação de 40% do orçamento. Desses 40%, 95% já foi empenhado, resta muito pouco para concluirmos o primeiro semestre e precisamos de imediato da liberação de limite de empenho. Em seguida, a partir de julho, precisamos do desbloqueio do restante para que possamos chegar até o final do ano”, disse o reitor.

Lídia Brito

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