Destaque

Promessas não cumpridas pelo prefeito Rogério Castro podem ter pesado na queda da votação de Rafael Fonteles em São Raimundo Nonato

Créditos: ASCOM

O resultado das urnas em São Raimundo Nonato expôs uma mudança significativa no desempenho eleitoral do governador Rafael Fonteles (PT). Em 2022, Rafael recebeu 14.091 votos, equivalentes a 70,27% dos votos válidos no município. Quatro anos depois, caiu para 12.288 votos e 58,24%, enquanto Joel Rodrigues (PP) alcançou 8.542 votos, ou 40,48%. 

A queda de 12,03 pontos percentuais e de 1.803 votos abre espaço para diferentes interpretações sobre o comportamento do eleitorado local. Entre elas está o impacto da avaliação da administração municipal do prefeito Rogério Castro (MDB).

Duas obras anunciadas e aguardadas pela população ganharam destaque nesse contexto: a drenagem do centro da cidade e a Adutora da Serra da Capivara, com captação na Barragem do Jenipapo.

Em outubro de 2025, Rogério Castro anunciou a inclusão da drenagem urbana no Novo PAC, com investimento previsto de R$ 47 milhões, para combater os alagamentos no centro da cidade. A autorização da obra foi assinada em Brasília em setembro daquele ano. 

Apesar da previsão e dos recursos anunciados, a intervenção ainda não havia sido concluída até a eleição de 2026. Em janeiro deste ano, o próprio governador Rafael Fonteles voltou a citar a drenagem urbana entre os investimentos previstos para o município. 

Outra promessa que entrou no debate foi a Adutora da Serra da Capivara. O projeto foi incluído no Novo PAC em 2025 e prevê levar água da Barragem do Jenipapo para São Raimundo Nonato e outros municípios da região. Em agosto de 2026, Marcelo Castro afirmou que havia recursos empenhados para a adutora e para a drenagem. 

O próprio Rogério Castro havia destacado a importância da adutora em declarações públicas. Em setembro, durante ato político em São Raimundo Nonato, Rafael Fonteles também reconheceu que o abastecimento de água continua sendo um dos principais desafios da região. 

Reflexo nas urnas?

Não é possível afirmar, apenas pelos resultados eleitorais, que as obras não executadas foram responsáveis pela queda da votação de Rafael. Não há, até o momento, pesquisa eleitoral que estabeleça essa relação de causa e efeito.

Mas o resultado mostra que São Raimundo Nonato apresentou uma das disputas mais equilibradas para governador no Território Serra da Capivara. Rafael venceu com 58,24%, enquanto Joel chegou a 40,48%, uma diferença de apenas 17,76 pontos percentuais. 

O cenário também chama atenção porque, em 2022, Rafael havia aberto uma vantagem de mais de 41 pontos percentuais sobre Silvio Mendes no município.

A diferença entre as duas eleições alimenta o debate político local: promessas, anúncios de obras e expectativas criadas durante a gestão podem influenciar a percepção do eleitor, mas não é possível atribuir matematicamente a queda de Rafael a um único fator.

Para o eleitor de São Raimundo Nonato, a cobrança agora passa a ser sobre o cumprimento das obras anunciadas e sobre os prazos apresentados ao longo dos últimos dois anos.

Na política, promessa gera expectativa. Quando a expectativa não se transforma em obra, o resultado também pode aparecer nas urnas — embora a relação entre os dois precise ser tratada como hipótese, e não como fato comprovado.

Deixe seu Comentário:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo